Buscar
  • Clara "Lynn" Abrahão

Sobre o cenário feminino de VALORANT e como isso pode ser usado para ampliar horizontes

Atualizado: Abr 27


Sobre o cenário feminino de VALORANT - e como isso pode ser usado para ampliar horizontes em outras franquias



O lançamento de VALORANT, FPS tático da Riot Games, mal completou um ano e o movimento no cenário competitivo já é memorável. Se antes jogadores migravam de outros FPS às cegas apostando apenas numa promessa turva de que a Riot não decepcionaria, hoje temos um cenário pavimentado e bem estruturado com times habilidosos e que cada vez mais cresce.


Mas o que o cenário feminino tem a ver com isso?


Muito.



É admirável ver a quantidade de apoio e patrocínio que empresas estão injetando nas meninas. Campeonatos femininos eclodem semanalmente, movimentando não apenas times já bem colocados nas chaves de classificação, mas fazendo com que novas equipes e novos talentos surjam. Fomos presenteadas com o GIRL PWR, organizado pela Gaming Culture, o Sakuras Ascent, promovido pela Sakuras Esports, o VK Girls Champeonship, pela Vivo Keyd, o Protocolo Gêneses, pela Gamers Club, e ao que parece, diversos outros ainda estão por vir. Todos eles com patrocinadores de renome, apoiados pela própria Riot, que lançou iniciativas que promovem não apenas os times femininos, mas também faz com que as organizações de esports vejam e tenham interesse nestes times. É uma missão fazer com que as mulheres tenham visibilidade neste cenário que é tão novo, mas já tem tanto potencial.


Precisamos lembrar, inclusive, que neste ano a Riot Games promoveu uma iniciativa de que, no Champions Tour, uma única organização poderá participar do circuito com duas equipes, contanto que uma delas seja masculina ou mista, e a segunda seja feminina. Organizações de renome agora podem - e devem - abrir espaço para as mulheres, criando mais visibilidade e destaque.


E o que acontece quando se investe de fato em um cenário? Quando se apoia, quando se tem empresas verdadeiramente investindo e não apenas usando mulheres para autopromoção de inclusão?


Nos deparamos com times incríveis. Somos presenteadas com a existência de uma Team Vikings Fem, com a incomparabilidade de uma INTZ Angels. Com uma deslumbrante Gamelanders Purple. São tantos nomes, tantos talentos, tanto esforço e dedicação por parte de cada menina e cada equipe que sequer parece justo mencionar apenas uma ou outra - todas elas são grandiosas e merecem esse espaço. Todas elas lutam diariamente para fazer seu nome e merecem destaque. Diariamente surgem novos talentos, novas fagulhas que acendem nossos corações e nos enchem de orgulho.


Orgulho. É a palavra que nos define no momento.



E isso não se aplica apenas às jogadoras, que fique bem claro. Narradoras, comentaristas, apresentadoras, novas organizações e muitas outras mulheres que trabalham arduamente nos bastidores para que tudo funcione de maneira exemplar.


Encontramos campeonatos que reúnem uma torcida apaixonada e forte. E podemos ver, em seu todo, o que é o amor pelos esports. Que não cabe nenhum tipo de segregação ou preconceito nesse ambiente onde deveríamos apenas expressar nosso amor e união. Que merecemos respeito e que somos capazes, sim, de alcançarmos jogabilidade de alto nível.


Só precisamos da oportunidade.


E quando nos dão a oportunidade, ninguém é capaz de nos parar.


A questão é: precisamos sim de campeonatos femininos. E principalmente: precisamos de investimento. Não um investimento qualquer - lembremos do fatídico dia em que a Call Esports ofereceu R$ 300,00 de premiação para um campeonato feminino e gerou aquele caos na comunidade, não por maldade, mas porque era o que podiam oferecer. Precisamos de franquias que de fato queiram apoiar as mulheres, para que isso não aconteça mais.


Afinal, por ser um cenário novo, ainda existirão muitos erros e desalinhos. Mas fica o questionamento: até quando poderemos contar com esse amparo? Até quando o cenário feminino terá esse apoio de empresas e patrocinadores? Será que tudo isso faz parte de um hype momentâneo ou estamos de fato testemunhando um passo importante para a solidificação do cenário feminino de VALORANT?


E quando este mesmo modelo irá se replicar para outras franquias? Temos League of Legends, Wild Rift, CS:GO e diversos outros jogos que imploram por este tipo de atenção e cuidado. O “efeito VALORANT” está aí para mostrar que um cenário com investimento traz sim bons resultados, o que precisamos mesmo é de empresas que estejam dispostas a colaborar financeiramente com a causa.


Talento, meus amores, a gente já prova que tem.




63 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo