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  • Leticia "Lettociar" Scarabelli

#PatroaDaSemana: O que Max Caulfield nos ensina?

Levando em conta os pedidos feitos por vocês lá na nossa página do Instagram, essa semana trouxemos Max Caulfield, a personagem mais votada, para o nosso quadro #PatroaDaSemana. A essa altura, a protagonista de Life is Strange (ou apenas LiS para os mais íntimos) provavelmente dispensa muitas apresentações. Por conta disso, do fato do jogo já ser bastante conhecido, ao invés de falar somente sobre a trajetória dessa querida personagem, decidi também comentar um pouco sobre o que podemos aprender com ela. Vamos lá?

Como uma estudante de Letras um tanto emocionada, não posso deixar de apontar uma possível referência do jogo ao romance The Catcher in the Rye, escrito por J. D. Salinger. Isto porque a nossa patroa da vez, assim como Holden, protagonista do canônico livro de Salinger, tem Caulfield como sobrenome. Curiosamente, no quarto de Max, ainda nos é possível perceber um pôster um tanto quanto parecido com a famosa capa laranja do livro em questão, ilustrada por E. Michael Mitchell, conforme demonstra a foto abaixo.

Intencionalmente ou não, da mesma forma que Holden a protagonista de LiS encontra-se naquele limbo entre a adolescência e o começo da vida adulta, período no qual temos muitas decisões a tomar diante de uma série de incertezas. Aliás, talvez incerteza seja a grande palavra do jogo que sonda Max e todos nós, jogadores. Nesse ponto, ao jogarmos LiS pelas lentes de tal personagem, temos uma sensação incômoda próxima de quando precisamos decidir nosso(s) caminho(s) na vida real, pois sabemos que todos os atos que cometemos terão consequências (até mesmo escolher sabiamente o que comer no café da manhã para evitar mal, por exemplo).

Apesar das nossas indecisões e das oscilações inerentes à vida, Max nos mostra que é importante vez ou outra corrermos certos riscos para defender aquilo que tanto acreditamos fugindo da estaticidade sempre que possível. Por meio da delicadeza da personagem, ainda somos convidados a apreciar a beleza das coisas aparentemente ordinárias que nos cercam, sempre registrando tudo contando com a nossa criatividade e com uma câmera em mãos.

Para finalizar o (breve) quadro de hoje, deixo aqui um pequeno trecho de The Catcher in the Rye que, a meu ver, muito se encaixa com o que Max Caulfield em Life is Strange nos tem a oferecer:


“Among other things, you'll find that you're not the first person who was ever confused and frightened and even sickened by human behavior. You're by no means alone on that score, you'll be excited and stimulated to know. Many, many men have been just as troubled morally and spiritually as you are right now. Happily, some of them kept records of their troubles. You'll learn from them — if you want to. Just as someday, if you have something to offer, someone will learn something from you. It's a beautiful reciprocal arrangement. And it isn't education. It's history. It's poetry.” (p. 208-209).


Ou, numa tradução mais ou menos aproximada:


''Entre outras coisas, você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno, e se sentirá estimulado e entusiasmado quando souber disso. Muitos homens, muitos mesmo, enfrentaram os mesmos problemas morais e espirituais que você está enfrentando agora. Felizmente, alguns deles guardaram um registro de seus problemas. Você aprenderá com eles, se quiser. Da mesma forma que, algum dia, se você tiver algo a oferecer, alguém irá aprender alguma coisa com você. É um belo arranjo recíproco. E não é educação. É história. É poesia.''












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