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  • Clara "Lynn" Abrahão

#Ligadas entrevista: Fogueta!


Maria Julia "Fogueta" Junqueira. Foto: Whylace


Quem acompanhou o CBLOL Academy pode ver estrelas nascendo e fazendo seu nome no cenário. Esse é o caso da Fogueta, que além de se tornar uma das primeiras casters contratada pela RIOT Br, nos mostrou um trabalho recheado de carisma e profissionalismo. Hoje nossa conversa é com essa maravilhosa que cativou nossos corações!


Liga das Garotas: O que fez você gostar de videogame? Os games são algo que te acompanham desde sempre ou teve algum acontecimento que te aproximou mais dos jogos?

Fogueta: Bom, eu sempre tive atração por jogos, se é que posso dizer assim kkkk desde criança acompanhava meus primos jogando coisas online, como Diablo (eu amava Diablo, inclusive) e ficava de longe porque na minha casa em si não havia um pc bom pra jogos online e meus pais também cuidaram muito das coisas que eu consumia por ser muito filhote ainda. Conforme eu fui crescendo eu fui me envolvendo mais, no computador eu sempre, SEMPRE, joguei The Sims. Foi o primeiro jogo de PC que eu tive, e meus pais me davam 1 dia pra jogar, então eu passava literalmente o dia todo construindo casinha, conforme eu fui crescendo eu segui acompanhando a saga e todos os jogos que meus pais encontraram, que eram recomendados pra minha idade eles me liberaram também pra jogar.


Para além disso tive Playstation 1 e 2, no 1 com certeza foi meu momento de glória, eu era muito apegada aos jogos, Harvest Moon, Barbie Explorer, toda a saga do Crash, incluindo o Team Racer. Eu realmente gostava muito muito muito, jogos de luta também, mas ai eu burlava as regras dos meus pais e jogava escondido com meus primos kkkkkk sempre tive um contato com games, tentei manter pelo menos, mas morar no interior me barrou um pouco de ter contato com as novidades e tudo era muito caro pra gente, então minha saga com consoles se resumiu ao Play2 onde eu jogava Rock Band e Guitar Hero.

Depois disso me afastei completamente e só voltei com o contato já na faculdade, morando aqui em São Paulo com o League of Legends, o fator responsável dessa aproximação é que meu grupo de amigos da época jogava muito lol e se reuniam aos finais de semana pra assistir CBLOL. Como eu estava me formando em Audiovisual eu fui ficando meio encantadinha com toda a estrutura do campeonato, por ser muito próxima da estrutura de coisas que eu estava acostumada a ver na tv, comecei primeiro me apaixonando pelo CBLOL em si, para depois voltar para os games.


LDG: Diz aí, por que o nick "Fogueta"?

F: Cara KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKrying eu realmente não me lembro exatamente o porque, eu fiz a conta na twitch na época só para conhecer alguns streamers e entender sobre o cenário. Basicamente por motivos de estudo kkkkkk a grande questão do nick é que ele pegou logo na primeira live que eu entrei: Meu primeiro follow foi para a Yasmin Do Lol (até hoje somos amigos) e a hora em que dei o follow ela começou a rir horrores e o chat só reagia ao meu nick, pensei “Bom, pegou né? Causou um impacto aqui. Vou utilizar”


LDG: Quando você percebeu que queria de fato trabalhar com esports? Foi algo pensado ou simplesmente aconteceu?

F: Foi um meio termo. Eu comecei com meu canal na Twitch em 2018, o intuito era fazer lives para ter material para editar e construir meu portfólio como editora de vídeos, porque eu via que seria um caminho mais fácil na minha carreira de Audiovisual. E foi indo por ai sabe? Eu peguei gosto em fazer lives então sempre que dava eu fazia, mas tinha a faculdade, depois comecei a trabalhar então ficava difícil, ia literalmente no “se deu pra fazer deu se não deu é isto”. Aí, em maio de 2019 eu perdi meu emprego, por conta da pandemia, e precisava me manter aqui em SP, já sabendo que trabalho na minha área seria dificil, o que me restou foram as lives, até porque, no mês seguinte a minha demissão meu primeiro pagamento na Twitch caiu e eu vi ali uma chance de conseguir segurar as pontas.

Ápois isso tudo começou a rolar muito rápido. Eu fazia muita live, duas as vezes por dia. Dois ou três meses depois já fiz meu primeiro campeonato, gostei muito. Dois meses apos o primeiro, fiz meu primeiro remunerado e ai as coisas foram REALMENTE rolando sabe? Teve sim uma parte de “ser pensado” mas grande parte foi acontecendo, eu fui gostando, fui me encaixando e deixei rolar.


LDG: O que você acha que contribuiu para ajudar nessa sua caminhada nos esports?

F: Os contatos que eu fiz. Eu, por entender que era de uma minoria que sofria muito no cenário, fui fazendo alianças: com pessoas lgbt, pessoas negras, outras mulheres, fui divulgando projetos inclusivos, ia atras de contatos de quem era do Sakuras, fui literalmente me envolvendo com pessoas que eu sentia que estavam numa situação de vulnerabilidade como a minha pra que elas me ajudassem e eu ajudasse elas. As coisas funcionam muito melhor quando você tem alguém ao seu lado, pra te ajudar a tirar dúvidas, te indicar caminhos, trocar informações e pontos de vista. E até indicar para oportunidades. Para além disso, o ponto de dar a cara, se mostrar, se jogar nas oportunidades foi muito importante também. SER CARA DE PAU MESMO SABE.

LDG: Ver você, a Lahgolas e a Ravena como casters no CBLOL Academy foi um marco muito precioso pra gente. A Liga das Garotas nasceu mergulhada no cenário de LoL, e temos você hoje como uma verdadeira referência. Como foi pra você essa experiência de se tornar narradora do CBLOL? E desde o primeiro dia até hoje, você teve algum aprendizado que queira compartilhar com a gente? F: Eu sempre vou me lembrar do dia em que fui comentar com a Evelynn Mackus sobre a RIOT ter feito contato comigo e ela falar “Cara, não existe, em nenhuma outra liga da RIOT, de LoL, uma narradora MULHER. Você é a primeira na história do League Of Legends.” Isso me fez sentir o tamanho da responsabilidade que eu estava carregando. E cada dia que passa essa responsabilidade aumenta. Eu preciso estudar muito, me dedicar muito, treinar, estar em constante evolução para que eu possa todos os dias me superar e dar o meu melhor, não só por mim, mas por ser a primeira, inspirar muitas outras a virem na minha sequência. Estar no CBLOL é com certeza o maior goals da vida de qualquer caster, estar na RIOT é o maior goals de qualquer pessoa que trabalha com esports, mas quando se é mulher e existem milhares de outras falando o quanto você as inspira, traz uma responsabilidade gigantesca, por isso me cobro muito, me cobro demais para que eu seja a melhor e que eu inspire outras a darem o seu melhor, pra que quando elas vierem não precisem passar por metade dos sufocos que eu passei, não precisem lidar com os hates que eu lido. A gente tem que se provar muito mais e eu não quero que as próximas precisem se preocupar com isso como eu preciso. Acho que um dos maiores aprendizados que a gente tira disso tudo é nunca ter o nariz em pé e saber muito bem quais críticas escutar. Quando você tem a oportunidade que eu tive, desenvolver o meu trabalho, dentro da maior empresa dos games, com feedbacks focados na minha melhora, acompanhamento de profissionais, você precisa ser humilde, entender seu lugar, ouvir as críticas e estar aberta a mudanças e novas propostas para você. Não adianta você ter a oportunidade de aprender a ser a melhor naquilo que você faz se tu não ta afim de ouvir outros mais experientes. E saiba filtrar o que é crítica e o que é puro rage. Crítica te ajuda, incrementa algo ao seu trabalho, pontua um local onde você precisa melhorar e normalmente ela é dada por alguém que sabe o que ta falando. E pra trabalhar nesse meio público, onde as pessoas acreditam que elas são livres pra falar o que quiserem sem pensar no próximo é necessário demais saber filtrar essa diferença.



Fogueta, Ravena e Lahgolas.


LDG: Pra você, quais foram os momentos mais marcantes do CBLOL Academy? Tem algum momento em específico que você não consiga esquecer?

F: Ah gente, eu sou muito emotiva. Muito mesmo. Tudo pra mim é especial. A primeira reunião com a galera, porque eu vi ali pessoas em que eu me inspirei (Colosimus, Dudu, Vecet, Ravena) me tratando como colega de trabalho. Os dois primeiros dias, que fizemos a transmissão com o Skeat e o GSTV e os dois trataram a gente da melhor forma possível. Os primeiros feedbacks que eu recebi de outras pessoas que me inspiravam muito. Fazer a mesa com Ravena e Lahgolas e ser a primeira vez na história a termos uma mesa de casting 100% feminina. Muita coisa me marcou, muita mesmo, acho que esse primeiro split, eu falaria dele todo kkkkkk

Mas eu acho que todos esses momentos foram muito comemorados por terem sido divididos com a Lah, acho que com certeza algo que eu vou levar pro resto da vida é lembrar que eu dividi isso com alguém que eu bem de antes admirava e ver que a nossa amizade só se desenvolveu e se fortaleceu exatamente por compartilhar essas emoções juntas foi uma parada incrível demais. Desculpa gente eu sou muito apegada acho que nem consegui responder direito KKKKKKKKKKKKKKKK


LDG: Quais são as suas apostas para o MSI 2021?

F: Cara, eu boto muita fé no poder da RNG e da DWG KIA. São times muito fortes, que possuem lines que estão juntas a mais de 3 anos, é dificil quebrar a sinergia desses times. Mas durante a fase de grupos tivemos surpresas que pra mim são INCRÍVEIS pq eu amo ver underdogs se sobressaindo, então todo o meu amor e torcida vai pra Pentanet GG (por motivos militantes também já que foram o primeiro time a levar uma mulher como player)


LDG: Quais são suas maiores inspirações no cenário?

F: Essa daqui é outra perguntar que se deixar eu fico falando igual sobre momentos especiais do Academy kkkkkk é claro que eu tenho minhas inspirações e refrencias para meus trabalhos, acho que CamilotaXP, Gruntar, Colosimus, Ravena, Thaiga no mundinho League of Legends me inspiraram demais. Eles traziam uma leveza pro casting e isso foi algo que eu sempre quis, sempre tentei desenvolver e fico muito feliz de conseguir ter apoio pra trabalhar uma narração divertida e simpática. Babi Michelleto é de longe uma das minhas maiores referências, a primeira vez que ouvi aquela mulher narrando eu me arrepiei inteira e falei “eu quero ser assim”.

Mas eu acho que afetivamente falando, minhas amigas, atualmente, são as coisas que mais me dão burst e energia pra não desistir. Vou citar aqui a Nenny Park, minha grande amiga de anos, a gente se acompanha nesse processo de dificuldades pra conseguir viver de internet e esse ano ela ja passou por tanta coisa que olhar pra ela, ver ela insistindo todo dia mesmo parecendo que a vida ta falando pra ela parar, enche meu coração de orgulho e de determinação. Isso serve pra todas elas, Lahgolas, Jinki e Rawrafaela. Ter esse grupo de amigas, onde a gente troca, desabafa, chora e se ajuda a lidar com as dificuldades que esse cenário impõe pra gente é muito importante pra mim e com certeza, todo dia que acordo e troco conselhos com elas eu sou empurrada pra frente.





LDG: Se você não estivesse trabalhando hoje como caster hoje, com o que você estaria trabalhando?

F: Seria streamer e estaria fazendo quadros sobre análise de campeonatos KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Brincadeiras a parte, eu ainda estaria tentando me inserir nesse universo de uma forma ou de outra, editando vídeos para canal no youtube, produzindo vídeos pras minhas redes sociais, alguma coisa eu estaria fazendo para o cenário de games.


LDG: LoL atualmente é seu jogo favorito ou tem algum outro que ocupa o pódio no seu coração?

F: Eu amo demais o Lolzinho, ele me deu tudo que eu tenho hoje, mas levo ele com muita seriedade e isso acaba atrapalhando na hora das minhas lives, eu gosto de conversar com o chat, eu gosto de me divertir e fazer palhaçada e quando entro no lol eu fico modo foco 100%, só penso em ganhar e upar meu elinho, então acabo produzindo menos conteúdo no lol do que com outros jogos. O VALORANT tem sido meu jogo relax, gosto de jogar 100% na diversão, pra chuta o balde mesmo e apenas dar risada. Outros jogos que tenho um carinho muito grande: The Sims, que se deixar passo 24h jogando e Crash Bandicoot.


LDG: Você também faz streams, não é? Conta pra gente das suas lives! Ficamos sabendo que até cosplay diferenciado de Cypher do VALORANT rolou um dia desses… F: Meu deus, o Chernocypher kkkkk Tudo começou nas streams né? Eu não largo esse osso de forma nenhuma pois eu tenho um carinho imenso por tudo que eu conquistei nas lives. Ainda tenho uma comunidade bem pequena, somos 3100 seguidores no momento, mas eu sou muito orgulhosa do que a gente é. Quando comecei a streamar eu sempre tive a vontade de construir uma comunidade que fosse inclusiva, onde as pessoas pudessem encontrar um local que as acolhesse, que fosse respeitoso. Eu tenho plena noção de que somos pequenos porque sou muito rígida, mas também sou muito consciente, de influenciador grande que não se impõe e deixa sua comunidade ser tóxica existem vários e isso não vai rolar na minha porque eu não quero ser só mais uma. Minhas regras são muito rígidas, eu sou muito rígida e sou muito feliz por ter tomado essa decisão lá atrás. Hoje nos vemos como uma família, onde eu posso agri da forma que for, as pessoas pedem conselhos, o chat conversa entre si, as vezes eu to jogando e quando vejo ta subindo milhões de mensagens que não tem nada a ver comigo e eu falo “Opa, nem vou ler pq é conversa entre vocês”. Tenho uma moderação que me apoia o tempo todo, tudo que eu faço e toda ajuda que preciso eles me dão. Eu realmente sou muito feliz com as minhas lives e espero abraçar mais e mais pessoas porque coração de mãe sempre cabe mais um.


LDG: Já tem os próximos passos planejados para a sua carreira? Pode mandar um spoiler pra Liga ou deixa a gente com o Novidades em BreveTM?

F: Cara, vários planos estão se desenvolvendo. Atualmente meu foco é em desenvolver a comunidade feminina de League of Legends, NOVIBREBES OK? KKKK também quero me desenvolver profissionalmente, como apresentadora e narradora, então tenho estudado e praticado muito, vou trazer quadro novo pra live focado nisso também e claro, segundo split do CBLOL ta ai, quero dar o meu melhor para que eu seja a melhor e abra espaço pra que nos vejamos mais mulheres nos próximos splits!


LDG: O que você tira de maior aprendizado de toda essa caminhada linda, Fogueta? Qual você acha que é o SEU propósito no cenário?

F: Acho que meu maior aprendizado é não desistir e manter a cabeça no lugar. Quando você está nesse meio você recebe muitas críticas e muita atenção, é muito difícil você manter firme as suas características próprias com tudo isso. Manter a calma para tomar decisões e não se perder é essencial. Meu propósito é dominar o mundo, ser a maior para que eu consiga mudar 5% desse cenário e fazer com que mais pessoas se sintam bem vindas no mundo dos e-sports. Os games têm a capacidade de serem uma máquina muito grande na nossa sociedade, mas ele precisa agregar mais pessoas e pra isso precisa ser mais inclusivo, menos tóxico. Eu quero ter poder o suficiente pra que seja tão gostoso trabalhar aqui como em qualquer outra profissão, pra que as pessoas não se sintam acuadas em sonhar sem streamer, caster, player. Esse é meu propósito, criar um ambiente saudável e abrir oportunidades, ter influência pra que eu seja ouvida e consiga usar o meu espaço para que outros possam brilhar também.


LDG: Para finalizar: o que você diz pras meninas que tão entrando agora nesse caminho e que sonham em trilhar o mesmo caminho que você? O que você diria pras várias Foguetas que tão começando hoje e que tem você como um farol?

F: Não desistam. Eu sei que não é fácil, que vocês vão precisam aprender e lidar com muitas coisas sozinhas. Mas vocês são capazes, vocês são fortes e são guerreiras. E se precisarem do meu apoio, eu to aqui. Prontinha pra abraçar e ajudar vocês no que precisarem.


Diz se ela não é maravilhosa? Fogueta vem mostrando que sua força e sua dedicação são o pilar necessário para o sucesso, além de sempre se manter focado em seus objetivos e não desistir. Além disso, contem com seus amigos! Redes de apoio sempre são importantes, necessárias e fundamentais para qualquer pessoa. Muito obrigada, Fogueta, por fazer parte desse cenário. Você com certeza já mudou muitas coisas para nós!


E não esqueçam de seguir essa mulher incrível nas redes sociais! Ela faz lives em seu canal oficial na Twitch e compartilha a rotina dela com a gente no seu Instagram e em seu Twitter. Rainha acessível que chama, né?






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