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  • Clara "Lynn" Abrahão

#Ligadas entrevista: Ana Xisdê!

Atualizado: Abr 27



Para recomeçar a Liga das Garotas da melhor maneira possível, hoje trazemos uma entrevista super especial com uma pessoa que não apenas é talentosíssima, mas uma motivação para todas nós: Ana Xisdê! Nascida no interior de São Paulo, nossa Aninha foi campeã do prêmio de Melhor Caster em 2019 do Prêmio Esports Brasil, comentarista da Liga Brasileira de Free Fire e segue sendo um verdadeiro orgulho para nós!


Aninha, muito obrigada por aceitar falar com a gente! Tenho certeza que você vai inspirar diversas meninas que buscam o reconhecimento nesse cenário.


Liga das Garotas: Conta pra gente, o que fez você gostar de videogame? Os games são algo que te acompanham desde sempre ou teve algum acontecimento que te aproximou mais dos jogos?


Ana Xisdê: Meu pai é tecnólogo e na época que eu nasci os avanços drásticos da tecnologia ainda estavam acontecendo, principalmente com a chegada da internet e etc. Eu sempre tive contato com computador através do meu pai, e por algum motivo eu já demonstrava interesse por isso desde pequena. Percebendo esse interesse, meu pai me colocava pra testar várias coisas que ele ia aprendendo no computador, então ele me colocava pra jogar os jogos que estavam sendo lançados, pra testar internet de madrugada, falar em bate papo uol e tudo! Então eu não tive o começo padrão dos gamers da minha idade, da ida ao fliperama e vídeo game em casa, eu sempre fui do computador. De certa forma, mesmo sem querer, meu pai me fez gamer, mas o interesse partiu inicialmente de mim, desde cerca de 3 a 4 anos de idade.


LDG: Podemos imaginar que por ser formada em teatro, seu estudo e esforço devem contribuir muito para sua profissão! Sendo uma apresentadora de esports, como essa bagagem te influencia hoje?


Ana: Pra mim, estudo é experiência, independentemente de qual estudo é. Sempre há algo que aprendemos que mesmo que não usemos exatamente aquele conhecimento, aquilo condiciona a nós e nosso cérebro a ir além em certas possibilidades e formas de pensar. Digo isso porque além do teatro eu sou formada em Pedagogia, pós graduada em ensino de matemática, fiz cursos avançados de matemática aplicada, administração, incontáveis aulas de canto e até esportes e tudo isso, de alguma forma, influencia-me até hoje. O teatro é, com certeza, o que mais se aproxima do que faço e o que de fato ele fez foi me deixar ainda mais confortável para enfrentar as situações de público e câmera mesmo me considerando uma pessoa bem tímida e difícil de formar amizades, mas sei que ele deve influenciar muito mais do que só isso, mesmo sem eu perceber.

LDG: Trabalhar com jogos sempre foi uma ambição sua ou essa vontade surgiu depois de um tempo no meio?


Ana: Os jogos sempre foram presentes na minha vida, desde criança, mas eu nunca olhei pra eles como possibilidade de profissão. Durante o ensino médio eu trabalhei com meu pai na parte administrativa e era um tédio sem fim, fazendo a mesma coisa todo santo dia e mexendo com papel. Quando terminei o ensino médio eu tinha medo de escolher alguma profissão que também me deixasse entediada e acabei não entrando em nenhuma faculdade naquele ano. Porém eu precisava trabalhar e acabei conseguindo um emprego em uma escola. Seguindo a rotina das crianças, não era tão chato, e por isso eu fui fazer pedagogia. Em determinado momento eu percebi que no trabalho enfrentamos muitos problemas e eu não sentia que, no caso da Pedagogia, valia a pena pra mim passar por esses problemas - eu não ganhava dinheiro e nem amava a profissão o suficiente para aguentar. Apenas então eu olhei para coisas que eu gostava de fazer, para valer a pena passar pelos problemas de qualquer profissão, e pela primeira vez os jogos foram uma possibilidade.


Essa possibilidade apenas surgiu depois que eu descobri que para eu ser feliz com o que eu fizesse da minha vida eu precisava gostar do que eu fazia o suficiente para não importar o dinheiro, o tempo e nem os problemas que a gente enfrenta em qualquer profissão e isso só aconteceu no meu último ano da faculdade de pedagogia, quando eu já não aguentava mais ser professora e vi nos esports um espaço que eu poderia preencher.

LDG: Como foi a sua entrada no cenário de esports? Conta pra gente um pouquinho de como foi essa mudança da Aninha “gamer” para a Ana Xisdê!


Ana: A primeira vez que eu olhei para os jogos como uma possibilidade de profissão eu assistia CBLOL e vi que no campeonato não possuía nenhuma mulher. Eu, uma jogadora de LOL desde antes do servidor brasileiro e com certa experiência com público, acreditei que eu poderia ser essa mulher. Eu estudei a função e o jogo por um bom tempo até me sentir confortável para tentar participar de algum campeonato, porém o LOL já possuía um cenário solidificado e era bastante difícil conseguir as primeiras oportunidades. Nesse meio tempo o Overwatch foi lançado já com a intenção da Blizzard em torná-lo um esport. Eu vi ali uma possibilidade de um cenário que eu poderia entrar com mais facilidade e passei a estudar Overwatch também. Como o jogo ainda não tinha campeonato oficial, o pessoal da comunidade fazia pequenos campeonatos amadores e divulgava em grupos de facebook e lá ia eu, mandar mensagem pro organizador do campeonato, perguntando se estavam precisando de uma comentarista. Eu só fui conseguir minha primeira oportunidade quando fizeram um campeonato feminino, já que os outros sempre usavam a mesma dupla, mas foi esse campeonato que foi reconhecido pela Blizzard e me abriu todas as portas que eu precisava pra chegar onde estou hoje.

LDG: Você foi premiada como melhor caster no Prêmio Esports Brasil 2019 e isso foi um marco grandioso. Como você se sentiu fechando um ano tão histórico para o esports com essa chave de ouro?


Ana: 2019 foi meu ano de maior evolução como Caster e ter isso reconhecido pelas pessoas é indescritível. Em 2019 eu estava no topo do Overwatch, viajei pra fora do Brasil apresentar campeonato em inglês, fiz palco principal da BGS pela primeira vez, cheguei no Free Fire e etc. e no final do ano a categoria de Melhor Caster foi criada. Eu admito que queria apenas aparecer como finalista, sabia que temos tantos profissionais incríveis e até mais antigos no cenário do que eu, mas consegui o reconhecimento de que aquele ano era meu, pelo tanto que consegui alcançar naquele período. Pra mim, foi muito mais do que fechar com chave de ouro um ano incrível na minha vida profissional, foi representatividade, foi ser a primeira mulher a ganhar uma categoria popular, foi representar cada uma das pessoas que trabalhou comigo, na frente e atrás das câmeras, representar os jogos, representar as mulheres e representar todo mundo que votou.


LDG: Sua carreira como caster de Free Fire foi não apenas marcante, mas inspiradora. Nós aqui da Liga temos você como uma verdadeira inspiração, Ana! Ficamos muito felizes em saber que agora você iniciou um novo ciclo na Loading. Fala pra gente: é uma pegada diferente estar em TV aberta ou depois de tudo o que você passou, tá sendo tranquila essa transição?


Ana: Vocês são uns amores!! É diferente sim. Por si só, estar na TV te traz uma responsabilidade diferente (aquela coisa do teatro aparece muito mais inclusive haha), mas não é só isso, é a forma como a equipe funciona, como tomamos as decisões e encaramos os desafios, de certa forma tem sido diferente de tudo que eu já fiz antes. Apesar disso, eu estou muito tranquila com a transição porque vi essa oportunidade como um próximo passo quase que perfeito para a minha carreira e para os esports no geral, já tinha passado da hora de termos algo dedicado na TV aberta brasileira, e apesar de ter suas diferenças acredito que eu estava muito preparada para assumir esse papel, o que me permite simplesmente me divertir ao mesmo tempo que saber o quanto é importante o que estou fazendo.

LDG: Conta um pouquinho sobre algum momento da sua carreira profissional que te marcou! Tem alguma memória que guarda com um carinho especial?


Ana: Eu passei por alguns momentos que são difíceis de não citar: Ganhar como Melhor Caster 2019, ser finalista a Apresentadora do Ano em uma premiação internacional em 2020, sendo a única representadora latino-americana, fazer os presenciais do Free Fire, estando lá com o Brasil sendo campeão mundial, é difícil escolher um, mas o que as pessoas menos sabem é sobre como foi especial a minha ida para a Alemanha para apresentar o Duelo do Atlântico de Overwatch em inglês. Foi minha primeira vez fora do Brasil, trabalhando em outra língua, o público só ficou sabendo que eu ia no dia que eu já tinha chegado lá, e foram sete dias de montanha russa de emoções entre nervosismo e animação que eu conheci pessoas incríveis e tive uma experiência raríssima para um brasileiro. Foi um ambiente tão bom ao lado de pessoas tão boas que viver algo assim de novo é um grande sonho que não sei se jamais poderei realizar novamente, mas fico feliz em saber que aproveitei cada segundo e aprendi muito, o suficiente pra saber que se eu fosse de novo, seria ainda melhor.




LDG: Falando em inspiração, me fala quais meninas te incentivam e te deixam de olhos brilhando no cenário feminino!


Ana: São tantas, mas algumas que vêm à mente são Nyvi Estephan, Nayara Sylvestre, Babi Micheletto, Diana Zambrozuski, Brava FF, Barbara Gutierrez, entre outras.

LDG: Você sempre comenta sobre a família Xisdê, e adoramos ver o quão próxima você é dessa galera, que aliás tem um carinho imenso por ti (quem não tem, não é mesmo?). Como você faz pra sempre se manter tão pertinho do pessoal que te acompanha?


Ana: São algumas coisas que são simples, mas quando unidas fazem a diferença, ainda mais quando você é alguém que as pessoas às vezes acham que é “inalcançável”. Eu tento ser o mais aberta e sincera possível, dou o meu melhor em tudo que faço para representá-los bem, faço lives e converso com o chat, faço vídeos mostrando minha rotina, busco responder todos os comentários em minha fotos, busco responder a maioria das minhas DMs, faço interações divertidas com música, desenhos e etc. pra gente se conhecer ainda mais, crio conteúdo que a gente se identifica e tenho um projeto para, em breve, criar um grupo de Telegram para a família Xisdê.

LDG: Já tem os próximos passos planejados para a sua carreira? Pode mandar um spoiler pra Liga ou deixa a gente com o Novidades em Breve?


Ana: No momento estou empenhada em continuar minha criação de conteúdo, que cresceu bastante recentemente, e aprender tudo que posso nessa nova oportunidade na Loading, então não estou planejando nada além disso no momento, mas jamais quero parar e simplesmente me satisfazer com o que estou fazendo e onde estou, então podem ter certeza que apesar de não ter NoviBreves ainda, uma hora ela chega.


LDG: Para finalizar: o que você diz pras meninas que tão entrando agora nesse caminho e que sonham em trilhar o mesmo caminho que você?


Ana: Não há atalhos ou caminhos mais fáceis, cada um precisa encontrar a sua forma. Faça o que você realmente gosta, porque trabalhar com isso dá muuuuito trabalho mesmo, seja vista, faça vídeos ou qualquer coisa que você possa fazer para mostrar seu trabalho, se prepare para estar o mais pronta possível para as oportunidades quando elas aparecerem e, acredite, bom trabalho é incontestável, ninguém pode barrar o seu crescimento se o que você faz é bom. Empenhe-se e você vai conseguir!


Tem como não amar essa mulher, gente? Além de incrível, a Aninha nos mostra que é possível sim alcançar nossos objetivos quando se tem dedicação. Sua caminhada desde os tempos do Overwatch até aqui foi brilhante e vê-la transbordando luz é uma alegria para todas nós.


Você pode acompanhá-la nas redes sociais pelo Twitter, pelo Instagram e pelo TikTok. Ela também faz transmissões em seu canal da Twitch, já deixa o follow para não perder nenhum conteúdo e fazer parte da família Xisdê também!





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