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  • Dana Guedes

Entrevista com a Druid - Empresa brasileira investe nos games como plataforma para marcas


Não é nenhuma novidade que os games tem se tornado cada vez mais populares no mercado de entretenimento. Porém, ultimamente tem se tornado mais comum ver marcas de outros setores, como alimentação e bens de consumo, apostarem nos joguinhos como ferramenta para cativar o público.


Procurando minas experts para comentar sobre o assunto, a Liga das Garotas entrevistou duas diretoras da Druid, uma agência criativa que conecta marcas e empresas ao maravilhoso universo gamer: Tamires Posenato, diretora de mídia e Bruna Pastorini, diretora de planejamento. Confira o papo!


Liga das Garotas: Nos conte um pouco sobre vocês e sua trajetória no mundo gamer.


Tamires: Quando criança, meu irmão tinha um master system. Eu era LOUCA pra jogar, mas meus pais não deixavam. Depois de uns anos, ganhei meu primeiro console: um Game Boy rosa com a fita do Pokémon Silver. Veio direto do Japão, meu pai pediu para uma colega do trabalho trazer. Nunca mais larguei.


Bruna: Eu comecei a jogar desde criança com meu pai. Nós jogávamos Sonic juntos, era um grande momento em família que me fez entrar com o pé direito no mundo dos games. Mais na fase pré-adolescente, me viciei totalmente em Tíbia. Depois tive a fase do Game Boy do Pokemón, e hoje em dia eu gosto muito de jogos de história, mundo aberto e que flertem com o RPG.


LdG: Quais são seus games favoritos?


T: Ainda sou uma mestre Pokémon!! Jogo tudo de Pokemón e meus consoles da Nintendo todos são adquiridos só por causa do jogo. Gosto muito de RPG, Final Fantasy 9 sempre vai ser meu favorito.


B: Fallout e Last of Us são meus jogos preferidos da vida atualmente. Amo os dois!


LdG: Como surgiu a vontade de começar a trabalhar com games? E como foi que isso se concretizou?


T: Eu sempre pensei que não trabalharia com games. Na minha cabeça, eu sou boa para ligar o vídeo game e colocar o jogo, mas nunca me considerei hardcore gamer suficiente para trabalhar na área. Acontece que você não precisa ser pro-player para conseguir juntar sua profissão com algo que você faz no seu tempo livre.


B: Pela possibilidade de juntar o que eu gosto de fazer como profissional com um assunto e universo que eu acho que é fascinante. Os games são capazes de gerar consumidores apaixonados e ultra engajados. Eu sou planejamento e ter a oportunidade de vislumbrar oportunidades pras marcas se conectarem com um público tão interessado e em um universo que traz várias possibilidades criativas, é perfeito.


LdG: Agora vamos falar um pouco de "business" :) Conte um pouco sobre a Druid Creative Gaming e qual papel vocês desempenham lá dentro.


T: A Druid é uma agência criativa que quer ser a conexão entre o gamer e as marcas. Chamamos isso de B2G – Business To Gamer. Hoje, sou diretora de mídia e meu papel é viabilizar as ideias e amplificá-las no meio digital e offline. Considero o meu papel a ponte entre todo trabalho de planejamento e criação e o que efetivamente vai para a rua como mídia. Além disso, analiso os números de resultados e acompanho o dia a dia das campanhas.


B: Eu sou diretora de planejamento na Druid. Minha função é justamente traçar uma estratégia para que a marca possa extrair o melhor do universo gamer considerando seus objetivos. Além disso, tem um papel importante de entender quem é o consumidor da marca e onde ele está no mundo dos games: quais jogos ele gosta, o que os games representam pra ele, etc. Com tantas possibilidades, a gente precisa cruzar tudo pra poder recomendar a melhor solução pro cliente.


LdG: Nós sabemos que o Brasil é um dos maiores mercados de games do mundo e isso começou a ser explorado pelas empresas, não só as desenvolvedoras de jogos, mas também quem quer investir na área. Como vocês enxergam essa tendência do mercado?


T: Acho que finalmente o público gamer está sendo visto como um público potencial e com poder de compra. Uns cinco anos atrás, se você falasse sobre campanhas de marcas tradicionais falando com gamers ou trabalhando junto com grandes marcas tipo League of Legends, provavelmente a ideia não sairia do papel. Espero que as empresas continuem vendo potencial nessa indústria, não só para a vertente de publicidade, mas também para o crescimento de estúdios locais.


B: Acho que 2020 foi um marco pro mercado de games no Brasil. Mesmo com crise, incerteza, tudo o que a pandemia trouxe, as pessoas jogaram como nunca, a venda de consoles disparou. Isso tudo fez o mundo olhar pro Brasil e as empresas olharem para esse mercado. Agora, a tendência é que as publishers e as empresas em geral ganhem confiança para investir no mercado brasileiro. Um exemplo disso é a Wildlife, startup-unicórnio brasileira especializada em jogos para celular que recentemente recebeu um investimento milionário de um fundo americano. Acredito que vamos começar a ter mais exemplos assim com o aquecimento do mercado.


LdG: Você acha que o mercado dos games ganhou uma relevância ainda maior durante o período do isolamento social?


T: Sim! Definitivamente! Lembro de conversas com um amigo sobre como um período ruim econômico no país poderia impactar esse mercado, e ele me disse sobre games não serem mais um “bem de luxo” e sim algo normal que faz parte do dia-a-dia das pessoas. Não pra minha surpresa, olhar para os números do mercado mostram o crescimento exponencial de diversos games, como o próprio Free Fire que ganhou uma super relevância no brasil, principalmente no último ano. Antigamente, você precisava de um console e uma tv legal para ser gamer, o que é pouco acessível pelo preço. Hoje em dia, qualquer pessoa com um smartphone e internet pode jogar. Esse tipo de crescimento é o que provavelmente atraiu a atenção de outras marcas para investimentos nesse segmento.


B: Eu acredito que o game ocupou um papel emocional grande na rotina das pessoas. As pessoas estavam em casa, isoladas, sem poder sair, se divertir...quando você é tão privado de tudo assim, você precisa de alguma válvula de escape. E eu acho que as pessoas encontraram nos games um pouco do que elas perderam na “vida real”: a conexão com outras pessoas, uma atividade prazerosa, momentos de descompressão...até mesmo o senso de adrenalina. Games também são fonte de adrenalina, emoção... aventura...espetáculo...então, por tudo isso, os games foram a cia ideal pra muita gente, e isso alavancou o mercado.


LdG: Como você acha que os games podem melhorar o marketing no Brasil?


T: Acredito que exista muita oportunidade de fazer o que fazemos no nosso entorno, dentro dos games. Seja com aplicação de mobiliários urbanos dentro dos jogos, como foi feito em Watch Dogs pela Ubisoft + Diesel ou pelo servidor de GTA RP com Brahma. Obviamente existem games que não vão nos trazer esse poder de customização, mas os que trazem são portas de entrada para conseguir impactar os usuários em momentos que ele realmente vai prestar atenção nos detalhes, de uma maneira que não olharia ao passar de Uber por uma avenida.


B: Na medida em que os games passam a ganhar espaço como um ponto de contato para as marcas, estamos vendo muitas coisas serem feitas pela primeira vez. O mercado está experimentando, apostando...e com isso estamos, juntos, descobrindo novas possibilidades de comunicação. Além disso, estamos falando de um universo com consumidores altamente engajados. Quando você trabalha com um público tão apaixonado assim, isso abre portas para que as marcas tenham uma relação ainda mais próxima com seu público. Então disso tudo devemos ver nascer cada vez mais ações de marcas inéditas e inovadoras, e todos saímos ganhando com isso.

LdG: Para onde você acha que o mercado gamer vai daqui para a frente?


T: Gosto de acreditar que vai ser sempre para um ponto de personalização de projetos com ideias únicas para cada um dos clientes – quando falamos de publicidade. Do ponto de vista de jogos no geral, eu acho que cada vez teremos mais interação e oportunidade de customização de personagens. Nós passamos de meros expectadores para ser parte da história.


B: Acho que fazer jogos excelentes que as pessoas queiram jogar sempre vai ser o default. Mas, além do jogo propriamente dito, vejo duas tendências que podem ganhar ainda mais relevância nos próximos tempos. Pra mim é muito claro que o game não é mais só sobre o momento que a pessoa está jogando. Os games estão ganhando tanto espaço na cultura popular que passam a representar um lifestyle. Então, tem uma oportunidade grande como games sendo parte da cultura e de um estilo de vida. E nisso temos o game flertando com a moda, com o cinema, com música, com o entretenimento em geral...e tudo isso abre oportunidades de mercado.


A segunda coisa é sobre a capacidade dos games gerarem experiências memoráveis. Tivemos o show do Travis Scott no Fortnite, por exemplo, que foi um sucesso absoluto e mostrou o potencial disso. Temos também o Super Nintendo World, o 1º parque temático da Nintendo sendo aberto, além de todos os eventos de games e cultura pop. Os festivais de música não são mais as únicas experiências desejadas pelos jovens.


LdG: Quem seria o cliente dos sonhos e qual trabalho você amaria fazer?


T: Eu gostaria de poder fazer uma campanha para o lançamento de um jogo grande que tem muitos fãs por aqui, tipo League of Legends ou Street Fighter.


B: Meu sonho é fazer algum projeto com a Netflix.


LdG: Deixe um recadinho ou um conselho para quem deseja trabalhar na área de games :)


T: A melhor dica que posso dar é: se especialize na área que você quer trabalhar (seja publicidade, jornalismo etc.) e foque em ser o melhor nela, passe por diversos clientes e marcas e seja relevante. Não é impossível começar já trabalhando com games, mas eu acredito que quanto mais você conseguir ver do mundo como um todo, melhor você fica quando precisa focar em games.


B: Leia muito, pesquise muito, siga os grandes creators, siga as publishers, tente observar as tendências do mercado, o que as marcas estão fazendo... É um mercado muito dinâmico com novidades e movimentações surgindo todo dia. Mas vale a pena, prometo! J


LdG: Como te achamos nas redes sociais da vida?


T: Não faço conteúdo específico de games, mas de vez em quando eu falo sobre os jogos que estou jogando lá no meu twitter! @tposenato


B: @b.pastorini e @ladobdebruna


Para encontrar a DRUID nas redes sociais, é @CreativeDruid no Twitter e LinkedIn:

https://www.linkedin.com/company/druidcreativegg/mycompany/ <3


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