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  • Clara "Lynn" Abrahão

Conheça nossa #PatroaDaSemana, Senua!



Oi, pessoal! Hoje trago um #PatroaDaSemana muito especial pra mim, porque é sobre um jogo que me marcou muito. Inclusive, já temos um post de #LDGIndica sobre, se você não conferiu, aproveita para dar aquela checada porque ele abrange o jogo de uma forma bem mais geral e sem spoilers. Sem mais delongas, vamos ao que interessa: Hoje o spotlight é dela, Senua, a protagonista de Hellblade: Senua’s Sacrifice.


Antes de mais nada, já aviso que esse texto contém spoilers sobre o jogo. Se você ainda não jogou ou não curte muito spoilers, pare por aqui, ok?


Somos inicialmente apresentados à Senua como uma guerreira celta que teve sua vila destruída por vikings, e durante todo o jogo, Senua se culpa por isto já que ela transgrediu as regras do pai, que a mantinha trancafiada em casa dada à sua “maldição”. Sua maldição no caso é justamente sua psicose, que no jogo é abordado como um castigo divino, mas deixemos claro aqui que isso é utilizado apenas em lore, ok? Não irei me estender, mas as crenças pessoais de cada um devem ser respeitadas, bem como transtornos mentais devem ser tratados de acordo com seus protocolos e com seus profissionais adequados. Nunca confundam um ou outro!


Voltando à Senua: Zyndel, seu pai a deixava confinada dada à sua maldição, mas em uma fuga, Senua conhece Dillion, que contrário à tudo o que Senua aprendeu e conheceu, não a vê com os mesmos olhos que seu pai; pelo contrário, ele afirma que sua psicose é uma forma especial e única de ver o mundo. Enquanto Zyndel era um grilhão que a acorrentava nas sombras, Dillion era luz, toda uma perspectiva libertadora e iluminada que apresentava Senua a uma versão mais leve e pacífica dela mesma. Tanto que, nas vezes em que ele é representado no jogo, é assim que ele surge: de forma iluminada, uma luz que guia Senua nos momentos em que ela se sente desamparada e perdida. Mas nunca é fácil lutarmos contra as sombras de nossa mente. E eis a verdadeira essência de Hellblade: carregado de mitologia nórdica, gráficos sublimes e trilha sonora de qualidade absurda, o jogo nos presenteia com essa imersão completa no abismo dos conflitos de Senua.


E o que Senua quer nos mostrar em sua jornada árdua até os domínios de Hela?


Aceitação.



Em sua jornada, Senua desvenda memórias bloqueadas por ela mesma numa tentativa desesperada de sobreviver e salvar seu amado de Hellheim. Posteriormente, somos apresentados a uma personagem que tem impacto na psiqué de Senua, Dalena, sua mãe, que também sofria com a maldição e que supostamente havia se suicidado para livrar o clã da escuridão; a verdade é que Zyndel havia queimado Dalena viva para que o clã se livrasse da escuridão.


A Escuridão, fantasiada de pai protetor e zeloso, era na verdade sua ruína. O caminho sinuoso para a morte que lhe vendava com a falsa promessa da paz, do acalento familiar. Se ela era o erro, todos os outros eram acertos; mas Senua, em momento nenhum, era erro. Senua era sua própria luz, a guia de seu próprio caminho, o único grito que silenciaria todas as vozes travessas em seus ouvidos.


E Dillion era a fagulha que ela precisava para que seu mundo se iluminasse. A busca pela salvação de seu amado era, na verdade, a busca pela sua própria salvação. Durante todo o percurso para o inferno, Senua enfrenta o seu próprio inferno: suas memórias bloqueadas, seus medos, ela mesma. Ela na verdade batalhava contra o sofrimento e o medo das pessoas ao seu redor, não de si mesma.



Não havia maldição em Senua. Não havia culpa, não havia punição. E essa é sua jornada: descobrir a si mesma em uma direção tortuosa até seu próprio inferno. O que não deixa de ser uma réplica da realidade; afinal, estamos o tempo inteiro nos deparando com nossos demônios. Ela precisou submergir em suas próprias camadas, descobrir quais eram suas ilusões, os incêndios de sua alma, o que residia nas sombras de sua mente para que finalmente pudesse enfrentar aquela que mais repudiava e ao mesmo tempo almejava: ela mesma. A rainha de seu próprio inferno, Hela metade deusa, metade apodrecida em seu passado lamentável.




Não há porque lutar contra a escuridão. As vozes, o passado, os medos, a dor, as alegrias, tudo é parte dela. A batalha de Senua sempre foi contra si mesma, nunca contra Zyndel, nunca contra Hela. E vamos combinar, uma das batalhas mais difíceis da vida é aceitar a nós mesmos. Felizmente, Senua encontrou o seu caminho.


Que encontremos o nosso, também.









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