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  • Clara "Lynn" Abrahão

Chloe Price é a nossa #PatroaDaSemana!



É com muita alegria que hoje trago para a #PatroaDaSemana uma das minhas personagens favoritas, de um jogo que é conhecido por fazer muita gente refletir sobre as escolhas que tomamos na vida - e diga-se de passagem, desidratar de tanto chorar. Abram alas para Chloe Elizabeth Price, uma das personagens principais do jogo Life is Strange e protagonista de Life is Strange: Before the Storm. E esse post é recheadíssimo de spoilers, portanto já sabe, né? Se não quiser ser bombardeade com spoilerzaços sobre a Chloe e os jogos citados, por favor, não passe daqui. Mas super recomendamos o jogo!


Somos apresentadas à Chloe, literalmente, no fim de sua linha: em sua briga com Nathan Prescott no banheiro da escola, ela leva um tiro e morre. Simples. E Max Caulfield, descobrindo seus poderes de viajar no tempo e alterar o passado, decide que iria salvá-la ao alterar a linha do tempo, sem saber que sua escolha traria consequências. Um início que começou no fim. E isso por si só já seria problemático se não tivéssemos o background que envolve as personagens.


Chloe e Max eram melhores amigas de infância. Viviam juntas desde sempre; criavam histórias de pirata, desvendavam mapas que elas mesmas inventavam. Diziam que jamais se separariam. Até que o tempo - o grande catalisador, herói e vilão da história - fez sua magia. Chloe, que era uma menina animada e feliz, viu seu mundo ruir quando seu pai morreu em um acidente de carro e sua melhor amiga, Max, precisou se mudar para Seattle e perdeu completamente o contato.



Em um piscar de olhos, em um bater de asas, ela estava sozinha.


Readaptar-se a um mundo novo era... cruel. Sem sua melhor amiga, sem o pai que tanto amava e com uma infinidade de sentimentos com os quais ela não sabia lidar. O luto a arrematou de uma forma que pudemos claramente ver um corte em sua linha do tempo: antes uma Chloe apaixonada por ciências e imaginativa foi substituída por uma menina de olhar distante, lidando com a perda do pai e da melhor amiga.


Em Before the Storm, conhecemos melhor o relacionamento volúvel de Chloe e Rachel. Podemos ver como essas duas perdas impactam a vida de Chloe: Rachel, apesar de gostar dela, consegue manipulá-la facilmente, usando seu medo de abandono em diversas situações (e essa manipulação vai ser abordada em outro #PatroaDaSemana sobre a Rachel, soltei o spoiler e vocês que aguentem as pontas hihi). O relacionamento com sua mãe também não está muito afável; Chloe demonstrava um comportamento rebelde, revoltado, não permitia que a mãe se aproximasse. Principalmente depois de descobrir seu relacionamento com David e de todos os problemas de convivência que os dois tinham.



O corvo inicialmente acompanhou Chloe durante sua saga. E aqui temos uma simbologia interessante: o corvo é visto como uma criatura que traz mau presságio ao comerem cadáveres, "trazerem a morte", ao mesmo tempo em que são tidos em diversas mitologias como aqueles que trazem proteção e regeneração. A ambiguidade da vida se revelando nos pequenos detalhes.


O fato de Chloe eventualmente "sonhar" com William a ajudou a superar certos traumas ao mesmo tempo em que a prendeu em muitos outros. Na cena da floresta queimada, William pergunta: "Você não quer me deixar ir?" e ela prontamente responde: "Não, eu gosto da companhia." em tom de brincadeira, mas pensemos na totalidade dessa frase. Ele já havia ido, mas dentro de si, Chloe ainda não havia conseguido deixá-lo ir. O corvo que a acompanhava, o luto que devorava sua própria carne, a protegia ao mesmo tempo que a regenerava. Criava uma nova Chloe. Mas não era esse o caminho que ela precisava trilhar.


E então temos uma das cenas mais icônicas do jogo, a cena do teatro, onde Chloe e William são os atores principais em um palco e seu público são seus conhecidos. Chloe, na pele do próprio corvo que a acompanhava, parece entorpecida nas memórias que ela não sabe distinguir. Parece cansada de lidar com tudo aquilo o que não é real - suas lembranças, a família (im)perfeita de Rachel, o próprio William em seus sonhos. Um teatro medonho chamado vida. "Eu não quero ser uma atriz," ela disse, "eu só quero ser eu mesma".


E é neste momento, numa encenação de sua mente, onde ela finalmente se depara com o que ela não queria ver. William, seu pai, estava morto. "Está tudo bem", foi o que ele disse. Mas não estava. Não para Chloe. E quando ela finalmente deixa de observar o corvo de longe e aceita ser, de fato, corvo - assumindo suas cicatrizes, sua identidade obscura, o quanto ainda remoía daquela carne podre que eram lembranças que ela fingia não existir, ela pôde enfim assumir o significado da regeneração, da proteção. Vista em algumas culturas, inclusive, como um símbolo de luz capaz de espantar a morte.



Chloe Elizabeth Price foi acompanhada pelos corvos de sua ruína durante um tempo. Até que precisou abraçá-los. Até que tornou-se, ela própria, um corvo.


Um corvo negro de olhos astutos e muitos sentimentos enclausurados, sim. Alguns deles que jamais poderiam ser curados. O corvo de Chloe sobrevoava a fagulha que era Rachel e seu bater de asas dava o início a um incêndio que se apagou cedo demais. Um corvo que precisava encontrar sua liberdade, mas que vagava perdido pela noite que sucumbia às chamas de Rachel.


E é só após se tornar corvo que ela pode, finalmente, surgir como borboleta. Anil como o céu desanuviado e tenro, frágil ao ponto de se romper sem esforço, mas forte o suficiente para mudar toda uma vida em um bater de asas.


Porque quando Max finalmente volta à Arcadia Bay e encontra Chloe no banheiro, sendo literalmente assassinada por Nathan, ela não pensa duas vezes e volta no tempo para salvar a vida de sua amiga. E como aprendemos durante o jogo, essa ação terá consequências. Todas terão. Até o fim de nossas vidas.


E encerro esse post com uma pergunta não com uma conclusão, mas com uma pergunta: você se jogaria na sua própria tempestade? Você está preparade para aceitar, se tornar e libertar os corvos que te rondam?


Nunca é fácil. Mas a vida é estranha, mesmo.



“Quem liga se as estrelas estão mortas? Desde que a gente consiga vê-las, significa que elas são reais para nós.” — Rachel Amber







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