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  • Dana Guedes

A #PatroaDaSemana chega quebrando padrões: Kara, de Detroit Become Human

Atualizado: Ago 4


Se você ainda não conhece Detroit Become Human já pare AGORA o que está fazendo e coloque esse jogo na wishlist, porque garanto que não é um game de narrativa qualquer. A história apresenta um futuro próximo e distópico, onde a maioria dos serviços contratados pela humanidade é feita por androides com inteligência artificial. Babás, empregados domésticos, jardineiros, secretários e até prostitutos... todos esses trabalhos são majoritamente feitos por androides, o que gera um grande movimento entre a sociedade: os que usufruem desses serviços e os que acham que as inteligências artificiais são uma ameaça e pretendem dominar a humanidade.


Os jogadores acompanham essa narrativa a partir da jornada de três personagens principais: Markus, Connor e Kara, de quem vamos falar hoje (sem grandes spoilers!)

A Kara é uma androide modelo AX 400 designada para tarefas domésticas e propriedade de um sujeito chamado Todd Phillips. Na casa do Todd, é a Kara quem cuida de tudo, inclusive da filha dele, a pequena Alice.


Logo no início do capítulo da Kara, descobrimos que ela está acordando de um conserto, após ter sofrido um ~incidente~ que a desligou e a fez perder toda a memória. Mesmo assim, é nítido que ela ainda tem uma relação de muito carinho com a Alice, de quem tenta se aproximar novamente. Logo nos primeiros minutos de gameplay, já vemos que a dinâmica da casa é toda problemática, porque Todd é um viciado em drogas e absurdamente violento com a Kara e a filha. E é durante um momento de MUITA tensão que a Kara precisa tomar uma decisão: seguir seu protocolo de androide e suas ordens de funcionamento OU quebrar os códigos e agir por conta própria.


Em Detroit, quando um androide "quebra seus códigos" de funcionamento, ele é chamado de Divergente e são caçados pela polícia para serem desligados por mal funcionamento. É isso mesmo: se um androide tiver qualquer sentimento, livre-arbítrio, pensamentos próprios, autodefesa, qualquer coisa, é fim da linha. Mesmo sabendo disso, pelo amor que sente pela Alice (se o jogador assim desejar, porque é um game de narrativa e escolhas) a Kara vai contra seus comandos androides e foge com a Alice da casa do Todd, para salvar a vida da menina - e a dela mesma.

A partir daí, toda a jornada da Kara vai depender das escolhas do jogador, mas não importa o rumo que você tome, cada capítulo vai levantar questões que vão te fazer questionar o que é a humanidade. Se as máquinas ganham a capacidade de fazer as próprias escolhas, elas ainda devem ser tratadas como máquinas? Se desenvolvem sentimentos, amam e sentem dor, ainda podem ser considerados diferente de um humano? A cada momento da história, a Kara descobre mais sobre quem ela é e o que ela deseja, além de ficar evidente a relação de mãe e filha que ela desenvolve com a Alice. Será mesmo que inteligências artificiais livres representam um perigo? Ou será que é apenas um medo em forma de preconceito que faz a sociedade tomar decisões erradas?


Apesar dos arcos do Markus e do Connor levantarem questões similares, a Kara ganha destaque por um motivo simples: foi a história dela que levou à criação de Detroit Become Human. Em 2012, a Quantic Dream desenvolveu um game curto chamado KARA, que narrava a história da primeira androide divergente desse universo. O curta fez tanto sucesso que o criador, David Cage, decidiu transformar em um game de escala maior e desenvolveu Detroit.

Além disso, vale dizer que o simbolismo de uma personagem feminina indo contra a violência doméstica e ao que "é esperado dela" para lutar pelos próprios sonhos e seguir os próprios desejos é uma interpretação mais profunda que ressoa com qualquer mulher na nossa sociedade de verdade. É preciso "quebrar muitos códigos" de conduta - tanto da socidade quanto dos que internalizamos - para poder sermos realmente livres e seguir nosso próprio caminho.



Curtiram saber mais sobre a Kara? Gostam de Detroit Become Human? Bora contar tudo pra gente usando a hashtag #PatroaDaSemana ou interagindo com a gente nas redes sociais!



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